Auditoria de enfermagem: o impacto das anotaçóes de enfermagem no contexto das glosas hospitalares


Recibido: 14 de octubre de 2008
Aceptado: 24 de febrero de 2009

Tânia S. Ferreira1, André Luiz de Souza-Braga2 , Geilsa Soraia Cavalcanti-Valente2 , Deise Ferreira de Souza2 , Enilda Moreira Carvalho-Alves2

1 Acadêmica do 9º período da graduação em enfermagem –UNIPLI

2 Professores do Departamento de Fundamentos de Enfermagem e Administração – MFE da Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa –EEA-AC/UFF, Membros do NECIGEN –Núcleo de Estudos sobre Cidadania, Educação e Gerência em Enfermagem.


RESUMO

Este estudo tratou da nossa observação frente ao impacto das anotações de enfermagem no contexto das glosas hospitalares. Nesta perspectiva, a pesquisa se norteia pela seguinte questão: como o profissional de enfermagem pode contribuir através dos registros para não ocorrência da glosa? Temos como objetivo identificar o impacto causado pelo não registro de enfermagem contrapondo às eventuais glosas, evidenciando os principais tipos decorrentes destes registros. Metodologicamente a pesquisa utilizada foi descritiva e explorató-ria, onde utilizamos uma abordagem qualitativa e quantitativa. O estudo se materializou por meio documental e foi realizado no serviço de urologia de um hospital privado do município de Niterói/RJ. Após a coleta de dados realizamos uma leitura exploratória, seletiva, analítica e interpretativa. A análise foi à temática e estatística das quais emergiram tabelas e gráficos, sendo: glosas de medicamentos (53%); glosas de taxas e aluguéis (24%); glosas de materiais (23%). Desta forma, procuramos expor a importância da contribuição do registro de enfermagem no processo de diminuição de glosas hospitalares, mostrando como o profissional de enfermagem é a ferramenta fundamental neste contexto. Sendo assim, pretendemos conscientizar e conduzir a prática dos profissionais da equipe de enfermagem, da responsabilidade e do comprometimento da elaboração completa e adequada do prontuário médico hospitalar.

PALAVRAS-CHAVE

Auditoria de Enfermagem; Gerência; Administração em Saúde. (Fonte: DeCs, Bireme).


Auditoría de enfermería: el impacto de las notas de enfermería en el contexto de glosas hospitalarias

RESUMEN

Este estudio se basó en nuestra observación del efecto que producen los registros de enfermería en el contexto de las glosas hospitalarias. Por consiguiente, la investigación se orienta a la pregunta: ¿cómo puede contribuir con los registros el profesional de enfermería para evitar la glosa? El objetivo es identificar el efecto de no haber registro de enfermería que evite las eventuales glosas y evidencie los principales tipos resultantes de estos registros. La investigación fue descriptiva y exploratoria, de tipo cualitativo-cuantitativo. El estudio se materializó en un documental realizado en el servicio de urología de un hospital privado del municipio de Niteroi, Rio de Janeiro. Después de recolectar los datos, se hizo una lectura exploratoria, selectiva, analítica e interpretativa. El análisis temático permitió elaborar tablas y gráficas de glosas de medicamentos (53%), de impuestos y arriendos (24%), de materiales (23%). De este modo se muestra la importancia del registro de enfermería para lograr la disminución de glosas hospitalarias, destacando que el profesional de enfermería es el elemento clave en este contexto. En consecuencia, tratamos que los profesionales del equipo de enfermería se concienticen de la responsabilidad y el compromiso que significa llevar completa y apropiadamente el registro médico hospitalario.

PALABRAS CLAVE

Auditoria de enfermería, gerencia, administración en salud. (Fuente: DeCs, Bireme).


Nursing audit: The impact of nursing annotation in the context of hospital gloss

ABSTRACT

This study is based on our observation of the effect nursing records can have on hospital audits. The question motivating the research is: How can the professional nurse’s records help to avoid audits? The objective is twofold: to identify the effect of not having nursing records that can avoid eventual audits, and to show the primary results of having nursing records. This is a descriptive, exploratory study of a qualitative-quantitative nature. It was developed in documentary form at the urology unit of a private hospital in the town of Niteroi in Rio de Janeiro. The data was collected and examined from an exploratory, selective, analytical and interpretive standpoint. A thematic analysis made it possible to construct tables and graphs of audits involving medication (53%), taxes and rentals (24%), and materials (23%). The study demonstrates the value of nursing records in reducing hospital audits. For that reason, the nursing team must be made aware of the responsibility and commitment involved in keeping complete and appropriate hospital medical records.

KEY WORDS

Nursing audit, management, health administration. (Source: MeSH, Bireme).


Introdução

A anotação de enfermagem é o registro do cliente ñas 24 horas no ambiente hospita-lar. Contem dados sobre sua saúde geral e dados administrativos. Sendo assim, promove enrió a ¡nformacao da assistência prestada ao cliente e a equipe multidisciplinar, servindo de instrumento para auditoria, evitando as glosas hospitalares. Este tipo de anotação, ¡ndependentemente da filosofía e das teorías de enfermagem adotadas para fundamentar o processo de enfermagem na ¡nstituição, deve ser valorizada, urna vez que é um dos meios para se avahar os cuidados prestados ao cliente a partir da adocao de indicadores de quahdade, para mensurar tanto o processo como os resultados da assistência de enfermagem (1).

Na sociedade atual as ¡nstituicpes de saúde estão evoluindo rápidamente e associan-do quahdade na hospitalização aos servicps prestados, com baixos custos hospitalares. Deste modo, os instrumentos para o monitoramento dos cuidados vêm sendo utilizados com a ¡nsercao de profissionais altamente qualificados, que tenha a visão financeira e holística do cliente. Para podermos entender este processo de custos hospitalares, fizemos um breve relato sobre auditoria e glosas hospitalares (2).

A auditoria em enfermagem refere-se á avahacao sistemática da quahdade da assistência prestada ao cliente, verificada através das anotacpes de enfermagem no prontuário ou das próprias condicpes deste. Existe a auditoria de cuidados, que mensura a quahdade da assistência em enfermagem, verificada através dos registros no prontuário do cliente e das próprias condicpes deste, e a auditoria de custos, que confere e controla o fatura-mento enviado para os planos de saúde, quanto aos procedimentos realizados, visitas de ratina, cruzando as ¡nformacpes recebidas com as que constam no prontuário. Portanto, através destas auditorias, podemos indicar alternativas preventivas e corretivas. Este é um processo educativo, pois não procura os responsáveis, mas questiona o porquê dos resultados adversos (1).

A auditoria em enfermagem visa o controle de custos, a quahdade do atendimento ao cliente, pagamento justo da conta hospitalar e a transparência da negociacao, embasada na conduta ética (1).

Um dos elementos imprescindíveis deste processo é o prontuário médico, importante ferramenta legal na avaliacáo da quahdade da assistência prestada ao cliente que fornece ¡nformacao vital para possíveis processos judiciais e convênios de saúde, pois este é o conjunto de documentos padronizados e ordenados, destinados ao registro dos cuidados profissionais prestados pelos servicps de saúde públicos e privados. Desta forma, sua ¡nformacao é anahsada e, portanto, havendo dúvidas quanto aos procedimentos realizados ou a falta de anotacpes de enfermagem, pode incidir em glosas das contas hospitalares (3).

A glosa é o cancelamento parcial ou total do orçamento, por serem considerados ¡legáis ou indevidos, ou seja, referem-se aos itens que o auditor do plano de saúde não considera cabível o pagamento. As glosas são aplicadas quando qualquer situacao gera dúvidas em relacao á regra e prática adotada pela ¡nstituição de saúde (4).

Temos as glosas administrativas, de-correntes de falhas operacionais no momento da cobrança, falta de interação entre o plano de saúde e o prestador de serviço, que estão vinculadas às cláusulas contra-tuais; e as glosas técnicas, decorrentes da equipe de enfermagem ou médica, onde estão vinculadas a falta de justificativas ou embasamento que se apliquem à indicação de determinado procedimento, e a falta de anotação de enfermagem durante a assis-tência prestada ao cliente (4).

Quando as instituições de saúde têm suas contas hospitalares glosadas pelas operadoras de planos de saúde, elas po-dem utilizar os recursos de glosas a fim de recuperar suas perdas econômicas. Enten-de–se por recurso de glosa a maneira de recuperar descontos indevidos e corrigir ou detectar erros de faturamento (5).

Em conseqüência, acreditamos na suma importância da responsabilidade e compromisso da equipe de enfermagem no que diz respeito a registros, tendo como conseqüência às glosas hospitalares, mostrando que é necessário o aperfeiçoamento continuo da equipe multidisciplinar e todos os profissionais envolvidos no processo do cuidado, com ênfase na enfermagem, para uma permanente e melhor qualidade de assistência (6).

Sendo assim, o objeto do nosso es-tudo é o impacto causado pelo registro de enfermagem na diminuição das glosas, que são decorrentes dos registros da equipe médica e de enfermagem. Um prontuário com a evolução de enferma-gem, as checagens de medicações e as anotações de procedimentos e materiais utilizados relatados corretamente estará isento de glosa. É importante destacar que as anotações não abrangem toda a prática assistencial da enfermagem, mas por meio das informações registradas as ações cuidativas são evidenciadas, possi-bilitando a avaliação dos procedimentos assistenciais por meio da auditoria. Tendo como questão norteadora: como o pro-fissional de enfermagem pode contribuir através dos registros para não ocorrência da glosa, cabe ressaltar que atualmente os enfermeiros estão cada vez mais se especializando como auditores, pois as ins-tituições estão à procura de profissionais altamente qualificados (7).

O presente estudo tem como objetivo identificar o impacto causado pelo não registro de enfermagem contrapondo às eventuais glosas, evidenciando os principais tipos decorrentes destes registros. Diante do crescente número de contas glosadas neste serviço de urologia e escassas bibliografias sobre o assunto, buscamos definir como o enfermeiro pode atuar através dos registros para a dimi-nuição das glosas através de pesquisa realizada neste hospital.

Este estudo contribui na trajetória de disseminação como exercício fundamental e aumento do conhecimento diante deste importante contexto, e para a linha de pesquisa do ensino permanente e da qua-lidade na assistência.

A auditoria teve sua origem na área contábil, cujos fatos e registros datam dos 2.600 anos a.C. Porém, é a partir do século XII d.C. que esta técnica passa a receber o nome de auditoria, constatando-se na Inglaterra o seu maior desenvolvimento com a revolução industrial. Deste modo, a prática da auditoria recebeu novas diretri-zes na busca de atender as necessidades das grandes empresas. Na área de saúde aparece pela primeira vez no trabalho realizado pelo médico George Gray Ward, nos Estados Unidos, em 1918. Neste trabalho era verificada a qualidade da assistência prestada ao cliente, através dos registros no prontuário médico (8).

Kurcgant (2006) afirma ser indiscu-tível a necessidade e a importância de um sistema de informação que propicie a todos os elementos da equipe de en-fermagem, informações necessárias ao desenvolvimento da assistência. Assim sendo, o sistema de informação em en-fermagem viabiliza o processo de comu-nicação entre os integrantes da equipe de saúde e o cliente (9).

Destaca–se, em 1955, o primeiro tra-balho de auditoria na área da enferma-gem, desenvolvido no Hospital Progress nos Estados Unidos (8).

Antes de 1976, as atividades de auditoria com base no então Instituto Nacional da Previdência Social (INPS) eram realizadas pelos supervisores, por meio de apuração em prontuários de clientes e contas hospitalares, porque nesta época não havia auditoria direta em hospitais. Neste mesmo ano, as contas hospitalares transformam-se em guia de internação hospitalar, ficando as atividades de auditoria estabelecidas como controle formal e técnico. Logo, em 1978, foi criada a Co-ordenadoria de Controle e Avaliação, nas capitais, e o Serviço de Medicina Social, nos municípios (8).

Em 1983 se reconhece o cargo de médico auditor, e a auditoria passa a ser feita nos próprios hospitais. No Brasil, no hospital de Ipanema, no Rio de Janeiro (8), foram iniciadas experiências isoladas com auditoria médica, com vista ao forne-cimento de informação para decisões administrativas e para o corpo clínico.

Quanto à auditoria na área da enfer-magem, surgiu no hospital Universitário de São Paulo como um processo implantando desde 1983, com padrões estabele-cidos para sustentar a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE). Com este mesmo objetivo, outros hospitais uni-versitários implantaram método avaliativo na década de 80 (1).

Em 1985 a demanda por serviços de saúde de qualidade, mobilizou tanto pro-fissionais quanto instituições. Um exemplo foi o documento da Organização Mundial de Saúde (OMS), quando foi estabelecido como meta a ser atingida: Saúde para Todos. Em-bora não concretizada, houve a proposta de estabelecer métodos de monitoraza-ção sistemática dos cuidados ministrados, visualizou-se a avaliação e o controle como componentes permanentes das atividades profissionais e institucionais (1).

Em 1990, a lei 8080 estabelece a ne-cessidade de criação do Sistema Nacional de Auditoria (SNA) como instrumento fis-calizador, atribuindo-lhe uma coordena-ção da avaliação técnica e financeira do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o território nacional. O Decreto 1651 de 28 de setembro de 1995 regulamenta o SNA e define suas competências nos três níveis de gestão: federal, estadual e municipal. A lei 9649 de 27 de maio de 1991 define ainda as áreas de competência, como função legal à coordenação, fiscalização do SUS (8).

A portaria 169 do Ministério da Saú-de (MS), do gabinete do ministro, de 19 de agosto de 1999, estabelece uma nova organização de atividades do SNA: as de controle e avaliação ficam com a Secretaria de Assistência a Saúde (SAS), as de auditoria, com o Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DENASUS), representada em todos os estados da federação no distrito federal (8).

Em dezembro de 1999, foi criada a Sociedade Brasileira em Enfermeiros Auditores em Saúde (SOBEAS), tendo como finalidade agregar profissionais de todo país, fossem enfermeiros envolvidos ou interessados em auditoria (8) (10).

Em 2000 (decreto 3.496), compete ao DENASUS determinar as responsabilidades dos órgãos de auditoria, controlar e avaliar a correção de irregularidades praticadas no SUS, e ainda da assistência direta e imediata ao gabinete do Ministro (8) (10).

Existe atualmente uma série de orga-nizações que praticam a avaliação global da qualidade da saúde em instituições, por exemplo, Organização Internacional para Padronização (ISO) e a Organização Nacional de Acreditação (ONA), além de comissões internas que possibilitam a execução da avaliação. A comissão da auditoria em enfermagem é responsável de atuar em vários hospitais (8) (11).

Desta forma, percebemos que no Brasil a auditoria vem tomando impulso nos últimos cinqüenta anos, mesmo se necessita ainda alguns arranjos que melhor se adap-tem ao processo da nossa realidade (1).

Método

Nossa pesquisa foi descritiva, por estar interessada em descrever e conhecer o fenômeno, procurando interpretá-lo e descrevê-lo; exploratória, pois têm por objetivo facilitar a compreensão do assunto, de modo a construir hipóteses, contribuin-do para posteriores estudos científicos, e proporcionar uma visão mais ampla do problema a ser estudado para orientar, explicar e explorar o contexto da importância das anotações de enfermagem (12).

A abordagem metodológica utilizada foi a qualiquantitativa, pois a pesquisa quali-tativa se preocupa com a compreensão dos processos e fenômenos e a quantitativa faz o estudo de caso, quantifica os valores e procura correlações estatísticas (13).

Antes, foi realizada pesquisa documental de materiais que não receberam trata-mento analítico, como documentos conservados em órgãos públicos e instituições privadas, e os documentos que de alguma forma já foram analisados: relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas e outros. E assim, utilizamos documentos não convencionais, porém usuais no ambiente hospitalar, vinculando-se a relatórios de glosas do convênio de saúde e contas hospitalares já auditadas internamente neste hospital (14).

Elaboramos como instrumento de coleta de dados uma planilha no Microsoft Excel, que possua os elementos da pesquisa, onde mencionaremos as glosas ocorridas em um serviço de urologia de um hospital privado de médio porte da cidade de Nite-rói, RJ, no setor de faturamento, no período de fevereiro de 2008, tendo como re-ferência os meses de outubro e novembro de 2007. Foram obtidos 215 internações e 926 atendimentos ambulatórias; destes, ocorreram 125 atendimentos glosados. Em total, foram 4.380 itens glosados, que dão uma grande importância na elabora-ção da pesquisa científica.

Após a coleta de dados, realizamos a leitura exploratória para evidenciar se o texto tem sentido em relação à pesquisa. Posteriormente, fizemos uma leitura sele-tiva, elegendo e avaliando a contribuição de cada texto e seus principais tópicos; e uma leitura analítica para apresentar os pontos relevantes e avaliar a contribuição de cada pesquisa (15) (16). Finalizamos

com a leitura interpretativa para estabe-lecer relações, confrontar idéias e confirmar opiniões (15).

Em seguida, a análise foi feita de forma temática e estatística, onde verificamos o que o texto diz, focalizando a capacidade do pesquisador para avahar a adequacao das teorizacpes disponíveis aos fenómenos por ele observados (15).

Análise e discussáo dos dados

Com vistas a identificar o impacto causado pelo não registro de enfermagem contrapondo às eventuais glosas, evidenciando os principáis tipos decorrentes destes registros, realizamos a pesquisa no serviço de urologia de um hospital privado de médio porte no município de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, setor de fatu-ramento. Recolhemos dados elaborados em planilha no programa Microsoft Excel, em fevereiro de 2008, tendo como referencia os meses de outubro e novembro de 2007. Com um total de 215 internações e 926 consultas ambulatórias, pudemos observar que destes 125 atendimentos e 4.380 itens foram glosados. Desta forma, elaboramos quadros para descrever as glosas ocorridas e seus respectivos motivos, considerando os componentes medicamentos, taxas e aluguéis, e materiais. Não nos estendemos nas glosas de exames, as glosas médicas e as glosas administrativas, pois o foco da pesquisa é o registro de enfermagem, e assim organizamos breves comentários.

O item medicamento recebeu o maior número de glosas, sendo seu valor em real de R$ 8.551,07 (53,16%), seguido de Dado que é alto o número de itens mencionados dentre os múltiplos elementos, optamos por selecionar somen-te os três mais representativos de cada um deles. No quadro 1, em Medicamento observamos os itens que tiveram maior representatividade: maxcef R$ 2.505,00 (47,12%), levaquim R$ 1.680,89 (31,61%) e fortaz R$ 1.264,75 (23,79%). As glosas ocorridas foram por falta de anotação/ checagem de enfermagem e de justificativa. Estes desacertos vêm ocorrendo porque na maioria das vezes a enfermagem atua com certa desatenção nas anotações. Ao escrever as evoluções de enfermagem de forma ilegível e incompleta, não dão a informação necessária e geram dúvidas sobre o tratamento aplicado.

Segundo Brunner (17), o registro de cuidados de saúde do cliente foi e ainda é executado com a intenção de promover um meio de comunicação entre os mem-bros do grupo de saúde para facilitar a coordenação e a continuidade do plane-jamento. O registro de enfermagem tem outras funções: atua como registro legal e comercial da organização hospitalar e dos grupos de profissionais responsáveis pelo taxas e aluguéis R$ 3.919,41 (24,36%) e materiais R$ 3.614,80 (22,47%), como demonstra o gráfico 1.

tratamento do cliente, serve de base para avaliação e eficiência da qualidade das práticas em saúde, promovendo um dado útil de pesquisa, educação e planejamento a curto e longo prazos.

Segundo o código de ética de medicina, é de responsabilidade médica, a elaboração da prescrição e receita de medicamento, pois é atribuição exclusiva do médico o diagnóstico de qualquer patologia e o seu tratamento específico, ou seja, ao médico cabe a prescrição do medicamento e a enfermagem cabe a anotação e checagem (3).

As anotações que demonstram a realização adequada da terapêutica medicamentosa com resultados de intervenções de enfermagem, orientações, cuidados prestados de forma sistematizada e coe-rente, são evidências objetivas da qualidade da assistência prestada ao cliente (1).

O profissional enfermeiro, que é um educador na sua essência, deve sensibilizar os membros dessa equipe quanto à importância da anotação e do envolvimento no processo de trabalho por ser responsável dos resultados obtidos por sua equipe. Podem se utilizar ferramentas educativas para tal, sempre enfatizando que dita anotação servirá como respaldo legal sobre a qualidade da assistência prestada ao cliente e quanto aos valores que a instituição receberá ou não dependendo desse registro (1).

De acordo com o quadro 2, de taxas e aluguéis o item mais representativo foi o oxigênio com o valor de R$ 1.936,96 (79,51%), seguido do curativo R$ 1.008,52 (41,40%) e nebulização R$ 644,08 (26,44%). A carên-cia de carimbos, relato de hora de início e término, falta de assinatura ou a falta de relato na evolução de enfermagem incidem em glosa. No item oxigênio, uma das maiores perdas da instituição, há falha na evolução ou a mesma pode estar incompleta, sem nenhuma justificativa para o cliente estar utilizando o mesmo, acarretando tam-bém em glosa.

Posteriormente, apresentamos o quadro 3 de materiais. Os itens compressa de gaze R$ 1.001,12 (44,55%), luva de pro-cedimento R$ 869,62 (38,70%) e jelco R$ 656,76 (29,22%) denotam mais a carência do registro de enfermagem sobre procedi-mento realizado, pois a falta de justificativa pela quantidade utilizada pode advir à glosa. As falhas ocorridas na maioria das vezes por falta de anotação, prescrição e checagem da equipe de enfermagem ele-vam as glosas e acarretam de forma expressiva as despesas da instituição.

Segundo Figueiredo (18), são de res-ponsabilidade da equipe de enfermagem as anotações no gráfico de sinais vitais, na folha de relatório, que contem informação sobre dieta, eliminações, movimentações, procedimentos realizados, intercorrências e outros dados relacionados ao cliente.

As instituições, tentando recuperar seus prejuízos, elaboram recursos de glosas ba-seados em justificativas dos profissionais envolvidos nos procedimentos. Ponderando as justificativas dos recursos, percebese que a maioria estava relacionada à equipe de enfermagem.

Os resultados apontam que as anota-ções de enfermagem contribuem de forma substancial para um elevado percentual de recuperação dos itens glosados, foco da pesquisa.

Os recursos de glosa aplicados de medicamentos, taxas e aluguéis, materiais, exames, glosa médica e glosa adminis-trava, totalizam aproximadamente o valor de R$ 26.789,26, e acham-se relacionadas aos medicamentos (R$ 8.551,07), aos ma-teriais (R$ 3.614,80) e as taxas e aluguéis (R$ 3.919,41).

Porém, os itens medicamentos, ma-teriais e taxas são recuperados mediante a anotacao de enfermagem, visto que a recuperaqao das glosas de exames, as glosas médicas e as administrativas será mais complexas.

Observouse que a não anotacao de enfermagem representou um custo para ¡nstituicao no valor de R$ 16.085,28, mostrando sua importância, pois a maioria das justificativas encontravase suportada apenas em registros de enfermagem.

Vimos também que o quantitativo de recursos humanos pode acabar por ocasionar estas fallías, pois a equipe de enfermagem estará prestando os cuidados aos clientes, acabando por faltar tempo necessário para realizacao dos registros. Entáo devemos atentar para o aspecto da ¡dentificacao da carga média de traba-Iho diária na assistência, consistindo na quantidade de clientes assistidos. Pois os trabajadores não são produtivos, igualmente, em todo o tempo do turno de trabalho, por realizarem urna série de atividades não diretamente relacionadas às suas tarefas profissionais. Porém isto não justifica, pois devemos nos organizar, fazendo planejamento das atividades para estruturar os recursos humanos de acordo com a quantidade de clientes (9).

A questáo de custos na área de saúde tem exigido profissionais qualificados que cooperem no resultado económico da ¡nstituicao. Dado que as perdas de materiais e medicamentos as principáis fontes lucrativas do hospitalsão pouco controladas, a auditoria em enfermagem pode desempenhar um trabalho proativo em semelhanga a este aspecto (1) (18).

Considerares fináis

A ¡nformação atinente às acpes e observacpes cumpridas pela equipe de enfermagem são registradas para gerenciar a assistência e avaliar a qualidade do atendimento ao cliente (19). Isso deve ser feito com base nas auditorias externas provenientes dos convênios de saúde ou nas internas da própria instituição, que visam apurar a desatenção na assistên-cia, e assim reavaliar contas detectadas freqüentemente pela ausência de dados fundamentais para o esclarecimento de ações realizadas, bem como pela falta de registros (19) (20).

Ressaltase que a anotação de enfer-magem não deve ser encarada como um simples cumprimento de norma burocrática, passível de esquecimento; é preciso que se tenha a noção de sua real importân-cia e das implicações decorrentes do não preenchimento correto deste documento.

Ressaltase que a anotação de enfermagem não deve ser encarada como um simples cumprimento de norma burocrática, passível de esquecimento; é preciso que se tenha a noção de sua real importân-cia e das implicações decorrentes do não preenchimento correto deste documento. Deve ser do interesse de toda equipe multidisciplinar que o prontuário esteja preenchido adequadamente, no intuito de gerar informações precisas, pois diante de procedimentos não comprovados ou anotados de forma deficiente, repercutirá em glosas e a instituição será penalizada em seus resultados financeiros (4).

O quantitativo de profissionais não é suficiente muitas vezes para executar completamente as ações pertinentes à equipe de enfermagem. Cabe à empresa atentar se mais vale à pena ter poucos profissionais e assim acarretar em futuras glosas ou se contratar mais profissio-nais seria a solução (15).

Acreditamos na necessidade de que os enfermeiros avaliem como estão sendo realizados os registros, tendo uma visão crítica e propositora de sua atuação, pois devemos desempenhar as atividades focando sempre na qualidade da assistência prestada aos clientes, e atuar administrativamente gerenciando sua equipe.

Neste estudo destacase que os enfermeiros passem a avaliar como estão os registros de sua equipe, fazendo um planejamento das atividades, visando à educação continuada, realizando treina-mento sistematizado, capacitando sua equipe para a valorização das anotações. Estas ações são um indicador de qualidade dos cuidados prestados ao cliente e de uma gestão eficaz. É indispensável neste processo o pleno conhecimento da equipe, a padronização do processo de trabalho com protocolos, a capacitação contínua e sistematizada, a reflexão sobre o conteúdo da informação e dos impressos para anotação (1).

Cabe também salientar a importância do compromisso, da responsabilidade, da competência técnico-cientifica e o resgate do trabalho da enfermagem expresso nas anotações acerca da assistência prestada.

Diante do exposto, desejamos que este estudo contribua a proporcionar uma maior reflexão dos profissionais de en-fermagem quanto à importância de seus registros e à trajetória de disseminação como exercício fundamental e aumento do conhecimento diante deste importante contexto, e assim colaborar para a linha de pesquisa do ensino permanente e da qualidade na assistência.

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