Olhar do enfermeiro sobre a paternidade de adolescentes: da superproteção à negligência

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5294/aqui.2026.26.3.9

Palavras-chave:

Adolescente, relações pais-filho, enfermagem, Atenção Primária à Saúde, relações familiares

Resumo

Introdução: a adolescência é caracterizada por mudanças biopsicossociais intensas, nas quais o equilíbrio entre pertencimento e autonomia é fundamental. As práticas parentais, que oscilam entre superproteção e negligência, podem influenciar diretamente a saúde mental e o desenvolvimento emocional dos adolescentes. Objetivo: compreender o olhar do enfermeiro sobre a paternidade de adolescentes. Materiais e método: estudo transversal descritivo com abordagem qualitativa, fundamentado na Teoria do Cuidado Humano Transpessoal de Jean Watson, conduzido em dois municípios do sul de Minas Gerais, Brasil. Participaram 26 enfermeiros da Atenção Primária à Saúde. A coleta de dados foi realizada por meio de grupos focais presenciais, incluindo teste-piloto, com duração média de 60 a 90 minutos. As transcrições foram analisadas segundo a análise de conteúdo de Bardin, com categorização dos dados e interpretação à luz da Teoria do Cuidado Humano Transpessoal. Discussão: Os enfermeiros identificaram adolescentes frequentemente despreparados para enfrentar desafios cotidianos, em contextos de cuidado parental inadequado ou ausente. A análise à luz da Teoria de Watson evidenciou a importância do cuidado empático, da escuta ativa e do estabelecimento de vínculos afetivos, essenciais para fortalecer a paternidade e reduzir vulnerabilidades emocionais. Conclusões: O estudo reforça que compreender o olhar da enfermagem sobre a paternidade de adolescentes contribui para práticas humanizadas, promovendo saúde integral, autonomia e vínculos familiares saudáveis.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Silva BF, Fonseca DC, Vaz IF, Oliveira JP, Souto LRRN, Costa LVS et al. Comunicação, rotina e diagnóstico em adolescentes: implicações ambulatoriais. Rev Master. 2022;7(13):24-30. DOI: https://doi.org/10.47224/revistamaster.v7i13.103

Guida SLAG, Ribeiro SLS, Souza MTS, Monteiro PO. Construção de identidade na adolescência: dilemas individuais e sociais. Saberes. 2024;24(1):AR14. DOI: https://doi.org/10.21680/1984-3879.2024v24n1ID35507

Santos TCC, Magalhães AS, Matos MG. Depressão na adolescência: do reconhecimento do adoecimento aos cuidados na família. Mudanças. 2025;33:e2025-004. DOI: https://doi.org/10.15603/2176-1019/mud.v33.pe2025-004

Main K, Bouton BD, Pendergast D, Whitaker N. The importance of social and emotional skills during adolescence to promote a positive social identity: A systematic literature review and reflection using Bronfenbrenner’s bioecological theory. Educ Sci. 2025;15(2):258. DOI: https://doi.org/10.3390/educsci15020258

Pan American Health Organization. Adolescent mental health [Internet]. 2025. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/saude-mental-dos-adolescentes

Costa MCG. O papel da família no desenvolvimento emocional do adolescente. Rev Contemp. 2024;4(10):e6351. DOI: https://doi.org/10.56083/RCV4N10-197

Paula LPP, Stengel M. A vivência de ser pais e mães de adolescente na atualidade. Rev Abord Gestalt. 2022;28(1):1-13. DOI: https://doi.org/10.18065/2022v28n1.1

Garcia OF, Fuentes MC, Gracia E, Serra E, Garcia F. Parenting warmth and strictness across three generations: parenting styles and psychosocial adjustment. Int J Environ Res Public Health. 2020;17(20):7487. DOI: https://doi.org/10.3390/ijerph17207487

Newman BM, Newman PR. Theories of adolescent development. Londres: Academic Press; 2020.

Logan-Greene P, Lee JS, Zhu J, Wilding GE. Neglect and adolescent internalizing mental health: Testing competing longitudinal hypotheses. Dev Psychopathol. 2025;37(4):2161-71. DOI: https://doi.org/10.1017/S0954579424001767

Watson J. Human caring science: a theory of nursing. 2a ed. Sudbury (MA): Jones & Bartlett Learning; 2012.

Tong A, Sainsbury P, Craig J. Consolidated criteria for reporting qualitative research (COREQ): a 32-item checklist for interviews and focus groups. Int J Qual Health Care. 2007;19(6):349-57. DOI: https://doi.org/10.1093/intqhc/mzm042

Souza VRS, Marziale MHP, Silva GTR, Nascimento PL. Tradução e validação para a língua portuguesa e avaliação do guia COREQ. Acta Paul Enferm. 2021;34:eAPE02631. DOI: https://doi.org/10.37689/acta-ape/2021AO02631

Dall’Agnol CM, Trench MH. Grupos focais como estratégia metodológica em pesquisas na enfermagem. Rev Gaucha Enferm. 2008;20(1):5-25. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/rgenf/article/view/4218

Kinalski DDF, Paula CC, Padoin SMM, Neves ET, Kleinubing RE, Cortes LF et al. Grupo focal na pesquisa qualitativa: relato de experiência. Rev Bras Enferm. 2017;70(2):424-9. DOI: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2016-0091

Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2016.

Maciel MIS, Machado MC. O adolescente e sua perspectiva de futuro em uma unidade de acolhimento de proteção. Rev Praksis. 2021;(1):22-38. DOI: https://doi.org/10.25112/rpr.v3.2333

Liu L, Ning B, Yang L. Childhood psychological abuse and neglect impair adolescent social-emotional competence: a network analysis with mediation. BMC Psychol. 2025;13:1279. DOI: https://doi.org/10.1186/s40359-025-03615-x

Shah EN, Szwedo DE, Allen JP. Parental autonomy restricting behaviors during adolescence as predictors of dependency on parents in emerging adulthood. Emerg Adulthood. 2023;11(1):15-31. DOI: https://doi.org/10.1177/21676968221121158

Liu Y, Yuan Y. The influence of parental neglect and teachers’ neglect on peer relationship of adolescents in China: the mediating effect of social withdrawal and aggressive behavior. Child Youth Serv Rev. 2025;176:108424. DOI: https://doi.org/10.1016/j.childyouth.2025.108424

Arslan İB, Lucassen N, Keijsers L, Stevens GWJM. When too much help is of no help: mothers’ and fathers’ perceived overprotective behavior and (mal)adaptive functioning in adolescents. J Youth Adolesc. 2023;52(5):1010-23. DOI: https://doi.org/10.1007/s10964-022-01723-0

Conceição IL. Um olhar sobre a autonomia e a independência na juventude [Internet]. Saber Humano. 2023;1(1). Disponível em: https://saberhumano.emnuvens.com.br/sh/article/view/587

Cunha NP. O meio ambiente humano digital e os desafios à geração beta. Rev Topicos. 2025;3(17). DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.14627507

Van Petegem S, Antonietti JP, Eira Nunes C, Kins E, Soenens B. The relationship between maternal overprotection, adolescent internalizing and externalizing problems, and psychological need frustration: a multi-informant study using response surface analysis. J Youth Adolesc. 2020;49(1):162-77. DOI: https://doi.org/10.1007/s10964-019-01126-8

Qian M, Jin R, Lu C, Zhao M. Parental emotional support, self- efficacy, and mental health problems among adolescents in Hong Kong: A moderated mediation approach. Front Psychiatry. 2024;15:1458275. DOI: https://doi.org/10.3389/fpsyt.2024.1458275

Zardo GF, Moura CF, Rodrigues MEF, Caron L. O desenvolvimento cognitivo infantojuvenil durante a pandemia: uma revisão sistemática [Internet]. Cad PAIC. 2022;23(1):571-84. Disponível em: https://cadernopaic.fae.edu/cadernopaic/article/view/512

Aires MEOD, Vieira AG, Gedrat DC, Correia BOD, Rodrigues IB. Desafios familiares na contemporaneidade: a comunicação entre adolescentes e seus pais em uma cidade no interior do Pará. Res Soc Dev. 2023;12(2):e1312239845. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v12i2.39845

Ross T, Ma X, Doty JL. Mediating effect of social self-efficacy and self-blame on the longitudinal relationship between perceived parent-child trust and youth mental health. J Early Adolesc. 2024;44(8). DOI: https://doi.org/10.1177/02724316231215784

Zapf H, Boettcher J, Haukeland Y, Orm S, Coslar S, Wiegand-Grefe S, et al. A systematic review of parent-child communication measures: instruments and their psychometric properties. Clin Child Fam Psychol Rev. 2023;26(1):121-42. DOI: https://doi.org/10.1007/s10567-022-00414-3

Coulombe BR, Yates T. Attachment security predicts adolescents’ prosocial and health protective responses to the COVID-19 pandemic. Child Dev. 2022;93(1):58-71. DOI: https://doi.org/10.1111/cdev.13639

Sanabio AG, Féres-Carneiro T. Filhos parentalizados: repercussões da inversão geracional no desenvolvimento emocional infantil [Internet]. Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; 2021. Disponível em: https://www.puc-rio.br/ensinopesq/ccpg/pibic/relatorio_resumo2021/download/relatorios/CTCH/PSI/PSI_Alexandre%20Gnattali%20Sanabio.pdf

Mello R, Féres-Carneiro T, Machado RN, Magalhães AS. Inversão geracional na família: repercussões da parentalização na vida adulta. Psicol USP. 2020;31:e190126. DOI: https://doi.org/10.1590/0103-6564e190126

Borchet J, Lewandowska-Walter A, Rostowska T. Performing developmental tasks in emerging adults with childhood parentification: insights from literature. Curr Issues Personal Psychol. 2018;6(3):242-51. DOI: https://doi.org/10.5114/cipp.2018.75750

Hendricks BA, Vo JB, Dionne-Odom JN, Bakitas MA. Parentification among young carers: a concept analysis. Child Adolesc Soc Work J. 2021;38(5):519-31. DOI: https://doi.org/10.1007/s10560-021-00784-7

Publicado

2026-10-14

Como Citar

Martins, T., Andrade, M. B. T. de, Resck, Z. M. R., Moreira, D. da S., & Felipe, A. O. B. (2026). Olhar do enfermeiro sobre a paternidade de adolescentes: da superproteção à negligência. Aquichan, 26(3), e2639. https://doi.org/10.5294/aqui.2026.26.3.9

Edição

Seção

Artigos