Dinâmicas, transições identitárias e desenvolvimento profissional de enfermeiros na mercantilização da saúde

Autores

Palavras-chave:

Identidade, identificação social, mercantilização, enfermagem, relações enfermeiro-paciente

Resumo

Dinámicas, transiciones de identidad y desarrollo profesional de enfermeras en la mercantilización de la salud

Nurses’ Dynamics, Identity Transitions and Professional Development in the Commodification of Health

Objetivo: conhecer as identidades profissionais de enfermeiros portugueses e os sentidos das transições em curso, para fornecer os suportes necessários aos desafios identitários profissionais. Materiais e método: investigação de abordagem mista realizada entre 2016 e 2017. Utilizou-se como instrumento de recolha de dados um Inventário de Identidade Psicossocial de Zavalloni e Louis-Guérin, junto duma amostra de 102 enfermeiros, dos quais 19 foram posteriormente entrevistados. Resultados: analisaram-se alguns dados que correspondiam aos possíveis selves e à identificação do núcleo central e dos elementos periféricos da identidade profissional, tais como as condicionantes profissionais. Verificou-se a existência de um grupo dominante de enfermeiros numa dualidade identitária entre o enfoque nos cuidados e na autonomia profissional e o enfoque nas exigências institucionais, com o receio de despersonalização dos cuidados. Também se identificou um outro grupo profissional, mais relacionado com o cuidar, que não apresenta marcas dessa institucionalização, mas que deseja um maior desenvolvimento das relações humanas e do conhecimento científico. Conclusões: as possíveis transições identitárias identificadas podem ocorrer conforme os reforços e os reconhecimentos oferecidos, ora com correspondência a fatores de mercado e consequente despersonalização do cuidar, ora com a conquista da autonomia e resgate do cuidar, assentem na cientificidade profissional.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Rita Fernandes, Universidade Católica Portuguesa

Centro Hospitalar de São João, Licenciado em Ciências da Enfermagem e da Educação, Mestre em Ciências da Educação e Doutoranda em Enfermagem

Beatriz Araújo, Universidade Católica Portuguesa

Professora Associada na Universidade Católica Portuguesa, Centro de Pesquisa Interdisciplinar em Saúde, Porto, Portugal, Licenciada em Enfermagem, Mestre e Doutora em Enfermagem

Fátima Pereira, Universidade do Porto

Professora Auxiliar com Agregação na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, Portugal; Licenciada, Mestre, Doutora e Agregada em Ciências da Educação

Referências

Holme A. Why history matters to nursing. Nurse Educ Today. 2015; 35(5):635-7.

Santos LFCL. Uma história da Enfermagem em Portugal (1143-1973). A constância do essencial num mundo em evolução permanente [Tese de doutoramento em Enfermagem, na especialidade de História e Filosofia de Enfermagem]. Porto: Universidade Católica Portuguesa, Instituto de Ciências da Saúde; 2012.

Pires AMB. Ser enfermeira em Portugal da I República à instauração do Estado Novo (1910-1933): leituras na imprensa generalista [Tese de doutoramento em Enfermagem]. Porto: Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Católica Portuguesa; 2012.

OECD/European Observatory on Health Systems and Policies. Portugal: Perfil de Saúde do País 2017, State of Health in the EU. Brussels: OECD Publishing, Paris/European Observatory on Health Systems and Policies; 2017.

Mercer D, Flynn M. Critical approaches in nursing theory and nursing research. Implications for nursing practice. Göttingen (Austria): V&R Unipress, Universitätsverlag Osnabrück; 2017. Chapter 1, Neoliberal demolition of the NHS: challenges of caring in a corporate culture; p. 33-50.

Serra MN. Aprender a ser enfermeiro: a construção identitária profissional por estudantes de enfermagem. Loures: Lusociência; 2013.

Abreu WC. Identidades, formação e trabalho. Das culturas locais às estratégias identitárias dos enfermeiros. Coimbra: Formasau; 2001.

Dubar C. La crise des identités. L’interprétation d’une mutation. 4ª ed. Paris: Presses Universitaires de France (PUF); 2010.

Moscovici S. Representações sociais: investigações em psicologia social. 11ª ed. Petrópolis: Editora Vozes; 2017.

Vignaux G. O conceito de thematha. Em: Moscovici S, editor. Representações sociais: investigações em psicologia social. 11ª ed. Petrópolis: Editora Vozes; 2017. p. 215-50.

Dos-Santos V & Ichikawua E. Representações sociais, história e memória: possíveis contribuições para os estudos organizacionais Gestão e Sociedade. 2017; 12(31):2213-31.

Markus H, Nurius P. Possible selves. American Psychologist. 1986; 41(9):954-69.

Abric JC. Estudos interdisciplinares de representação social. 2nd ed. Goiânia (Brasil): AB Editora; 2000. Chapter 1, A abordagem estrutural das representações sociais; p. 27-38

Zavalloni M & Louis-Guérin C. Identité sociale et conscience. Introduction à l’égo-écologie. Montréal: Les Presses de l’Université de Montréal; 1984.

Marta M, Lopes A, Pereira F, Leite M. A relevância profissional da formação de professores e enfermeiros no ensino superior: uma análise a partir das identidades dos formadores. Revista Lusófona de Educação. 2014; 27(27):75-91.

Bardin L. Análise de conteúdo. 3ª ed. Lisboa: Edições 70; 2015.

Pereira C. Análise de dados qualitativos aplicados às representações sociais. Psicologia. 2001; 15(1):177-204.

Mendes FRP, Mantovani MF. Current dynamics of nursing in Portugal: nurses’ representations. Revista Brasileira de Enfermagem. 2010; 63(2):209-15.

Waldow VR. Enfermagem: a prática do cuidado sob o ponto de vista filosófico. Investig Enferm Imagen Desarr. 2015;17(1):13-25.

Freire JMCG. Poder médico e identidade profissional dos enfermeiros: estratégias de revalorização profissional da Enfermagem [Dissertação de mestrado de Gestão de Recursos Humanos]. Lisboa: School of Economics & Management; 2014.

Lopera MA, Forero C, Paiva LE, Cuartas VM. El quehacer cotidiano de la enfermera significa soportar la carga. Rev Cuid. 2016; 7(2):1262-70.

Escobar L. O sexo das profissões. Género e identidade socioprofissional em Enfermagem. Porto: Edições Afrontamento; 2004.

Neto MCBRRV. Representação do cuidar em Enfermagem: uma visão de professores e estudantes [Dissertação de mestrado em Estudos sobre as Mulheres]. Lisboa: Universidade Aberta; 2006.

Tineo MPM, Torres ILY, Alcántara EL. La representación social del cuidado: una mirada desde la perspectiva del enfermeiro. Acc Cietna. 2016; 4 (1):101-11.

Flynn M, Mercer D. Is compassionate care possible in a market-led NHS? Nurs Times. 2013; 109(7):12-4.

Santos AG, Monteiro CFS, Nunes BMVT, Benício CDAV, Nogueira LT. El cuidado en Enfermería analizado según la esencia del cuidado de Martin Heidegger. Revista Cubana de Enfermería [online]. 2017; 33(3). Disponível em: http://www. revenfermeria.sld.cu/index.php/enf/article/view/1529/295

Downloads

Publicado

2018-09-21

Como Citar

Fernandes, R., Araújo, B., & Pereira, F. (2018). Dinâmicas, transições identitárias e desenvolvimento profissional de enfermeiros na mercantilização da saúde. Aquichan, 18(3), 263–274. Recuperado de https://aquichan.unisabana.edu.co/index.php/aquichan/article/view/8882

Edição

Seção

Artigos